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Jonasnuts

Jonasnuts

Antologia

Jonasnuts, 27.09.22

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Ao contrário do que seria de esperar, não vem de muito longe, a minha relação com Jorge Palma.

 

Porque não era bem de intervenção, e por isso não me chegou por via dos meus pais, e não era delicodoce como o Trovante, e por isso não chegou por via individual. E porque eu não percebia. E porque não fui atrás. E porque, quando comecei a poder gostar, não queria ser desiludida num dos "famosos" concertos. 

Mas era inevitável, não é? Aí há uns 15 anos, talvez um bocadinho mais, não sei como, um link, talvez, ouvi a canção Negativo e foi instantâneo. 

 

Procedi como habitualmente, nas minhas obsessões, comprei tudo duma assentada. E passei muito tempo a descobrir tudo. A conhecer tudo. A saborear tudo. Sem aquela coisa do tempo de espera, que me colide com o sistema nervoso. Absorvi Jorge Palma. Por um lado, tive pena que não tivesse clicado mais cedo, por outro, adorei a quase overdose.

Espetáculos ao vivo eram uma dificuldade. Era um querer e não querer. Nunca quis, nem mesmo quando tinha bilhetes à borla (auto-link). Miúfa de sair desiludida.

Até que em 2018, juntou-se a fome à vontade de comer, o útil ao agradável, o sol na eira e a chuva no nabal, e a Asbihp, uma associação que me é cara, crava ao Jorge Palma um concerto solidário, para ajudar a financiar o campo de férias desse ano. Tinha de ser, não é?

Foi. Muito a medo, mas foi. E foi maravilhoso. Um concerto curtinho, com umas condições de som que não eram as ideais, mas muito, muito bom.

Por motivos vários, não consegui voltar a ver Jorge Palma ao vivo (sendo um dos motivos a antecedência com que comprei bilhete para o CCB em novembro de 2021, que, no dia, me esqueci de ir - só me lembrei no dia seguinte, grande cachola). Até ao domingo passado.

Em julho foi anunciada a Antologia. Anunciaram, mas não puseram logo os bilhetes à venda. A ticketline há-de ter tido uns KPIs jeitosos, nesse mês, à conta dos meus refresh. Se não fui a primeira a comprar bilhete, terei sido a segunda. E não fui de modas. Comprei logo o passe para os concertos todos. E marquei-os na minha agenda, para não correr riscos.

 

Foi no domingo. No Palácio Baldaya, em Benfica. Foi o espetáculo inicial. Diz o programa que, ao contrários dos restantes concertos (que incidirão sobre 3 álbuns), este era sobre o "Só". Só sobre o "Só".

 

E eu estava à espera de ouvir o "Só", eventualmente mais uma ou outra nos encores (já que o homem não canta a mesma música duas vezes no mesmo dia). Ora....... o "Só" tem 15 músicas. Não chega a 1 hora de álbum. E era para isso que eu estava preparada. Assim como assim, não vai para novo, a coisa dava-se ao ar livre e não estava calor. Digamos que fui surpreendida.

 

Sim, houve "Só", mas não só. Houve também "Luís" Beethoven, e Leonard Cohen, e Léo Ferré, e coisas que escreveu para outros (Carlos do Carmo, numa canção de vida e devida), e coisas que outros escreveram para ele (Carlos Tê, valsa de um homem carente), e coisas menos conhecidas, que escreveu para o teatro, e histórias que foi contando, apesar da óbvia timidez e dos assumidos nervos (como é que alguém que celebra e assinala 50 anos de carreira, ainda tem espaço para nervos. É admirável e terno). Houve quase duas horas de concerto. Sem nunca cansar. Sem nunca me ocorrer pegar no telefone. A plateia ajudou, era família que ali estava, e percebia-se bem. Espero que ele também tenha percebido.

 

Não tendo sido um concerto sem erros, foi um concerto perfeito.

Um homem e um piano. Não há muitas coisas mais sexy do que isto.

 

7 de outubro, lá estarei.

 

Find Wally:

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Fotos do Facebook da Junta de Freguesia de Benfica

Para quem gosta de baixo

Jonasnuts, 24.07.09

Está a começar no Jardim Marquês de Pombal, em Oeiras o concerto do Stanley Clarke, do Marcus Miller e do Victor Wooten.

 

É onde eu estou neste momento.

 

Não porque goste especialmente de baixo, na realidade, a maior parte das vezes nem o consigo distinguir no meio dos outros instrumentos, mas porque sim.

 

Links e espaçamento de texto mais tarde, que o browser do meu telemóvel não suporta não sei o quê e eu não sei fazer links directos no html.

Eu vou, mas devagarinho

Jonasnuts, 06.06.08

Sou uma comodista. A verdade é que há poucos artistas que me levam a sair de casa para os ir ver. E, quando isso acontece, gosto de vê-los comodamente. Na Aula Magna é nos doutorais, no Coliseu é nas cadeiras de orquestra, enfim..... gosto pouco de ajuntamentos, pisadelas, encontrões, gente que fala alto, cabeças à minha frente e demais idiossincrasias dos grandes concertos tipo tudo ao molho e fé em Deus.

 

Posto isto, hoje vou ao Rock in Rio.

 

 

Não fui eu que escolhi o dia, eu por mim nem lá punha os calcanhares, tendo em conta o parágrafo inicial deste post, mas sempre me vou treinando para quando tiver de levar o meu puto, num dos próximos eventos.

 

Ontem vi o cartaz, e nestas coisas, são apenas referidos os cabeças do dito cujo. Ok, faz sentido, são tantos os palcos e os grupos e os artistas, que se falassem de todos, não chegava o espaço.

 

Então, na comunicação do festival, os cabeças de cartaz, para hoje são:

 

Linkin Park

The Offspring

Muse

Kaiser Chiefs

Orishas

 

Acho muito bem, e devem ser todos muito bons e muito animados e muito profissionais e muito apreciados mas para mim, meus senhores, os cabeças de cartaz, seja onde for que actuem, são os Clã (mas este Clã também é muito bom)

 

(Há-de entrar aqui uma foto, se o autor der permissão).

 

Quem já os viu ao vivo, saberá do que falo. Quem anda não os viu ao vivo, que não perca a oportunidade.

 

Às 19h50, não estarei a ver os tais dos Orishas no palco principal. Vou estar a ver Clã no tal do Sunset. E quando acabar Clã, se calhar ainda me socorro do iPod :)

Bobby McFerrin - Ontem no Coliseu

Jonasnuts, 13.05.08

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Sou fanzoca (fica o disclaimer). Há muito tempo, mas principalmente desde que me deram a conhecer o Hush, aí há uns 15 anos.

 

Ontem era um concerto obrigatório. Lá fui, finalmente, ver um concerto de um gajo de quem eu gosto.

 

A minha irmã arranjou bilhetes de borla. E vejam só como a minha família me conhece bem, ela e os amigos ficaram numa fila, e depois um bilhetito para mim, afastada do grupo. Conhece-me bem, a minha irmã. São poucas as pessoas que aguentam um espectáculo ao meu lado (mando calar quem fala, e coisas assim).

 

Fui mais cedo, o que contraria a tradição de chegar sempre em cima da hora. Saí do parque de estacionamento e dirigi-me lentamente para o Coliseu. De repente sai-me um Oh! da boca para fora. Um grupo de 3 homens caminhava no sentido oposto..... cruzámo-nos. O do meio era o Bobby McFerrin. Portanto, a menos de uma hora de começar o espectáculo, o gajo andava ali a passear. Conjecturei. Iria beber umas cervejolas para aquecer a voz? Ia para o Metro tentar fazer uns trocos? Não sei onde ia, mas foi muito esquisito cruzar-me com o gajo que ia ver actuar dali a pouco.

 

O concerto começou alguns minutos depois da hora marcada. Uma cadeira em palco. Entra o gajo, com a mesma roupa com que o tinha visto passar há menos de uma hora. Calças de ganga e t-shirt. Muito bom. Nada de atavios nem de folestrias, estamos ali é por causa da música, e não por causa do guarda-roupa.

 

Glu-glu-glu chinca-chinca-chinca, e passam-se as 3 primeiras músicas e, apesar dos agradecimentos efusivos, nem bom dia nem boa tarde nem boa noite. Nada de parlapié com o público. O meu nariz estava a ficar torcido.

 

Mas eis que começa a coisa...... a parte em que ele nos conduz, e consegue que um Coliseu quase cheio faça e cante exactamente o que ele quer, quando quer. E o resultado final é bom, muito bom, pelo menos soa bem.  E vem para o meio do público, e canta com algumas pessoas do público. Teria sido giro se tivesse subido um bocadinho mais e tivesse posto o microfone à frente da Maria João, a do Jazz, que por lá estava, mais tarde fez o gosto ao dedo, quando subiram uma catrefada deles para o palco (eram para ser 12, mas depois acabaram por ser mais).

 

Mas, a mim, o que me partiu toda foi que o filho da mãe puta repetiu ali a cena de Leipzig. Ele fez os glu-glu-glu do Ave Maria de Bach, enquanto nós cantávamos (?) a melodia que no original é tocada pelo violoncelo do Yo-Yo Ma. Ali ao pé de mim só eu e uma senhora que estava atrás de mim é que sabíamos a coisa (eu não sei a letra, mas sei as voltinhas todas), mas o som da sala a cantar com ele um dos meus temas favoritos de todo o sempre foi arrasador.

 

Curioso, como nestas alturas nos lembramos de pessoas que não conhecemos. Lembrei-me do autor deste Blog. Teria ficado tão surpreendido como eu, pelo facto das pessoas conhecerem bem a melodia do Ave Maria? É que não se tratava de um concerto de música clássica. Ok, este é um dos temas universais, que ultrapassa o género a que pertence, e esta versão está no álbum mais vendido de Bobby McFerrin, mas mesmo assim.

 

Defeitos? (esta é especial para ti maninha). Só o facto de não haver merchandising. Compro sempre t-shirts dos concertos a que vou. São mais as vezes que há que as que não há. Não consegui de Jane Monheit, nem de Tindersticks (mandei vir depois) nem de Nitin Sawhney (mas essas nem oferecidas que se fossem tão más como o concerto, nem para esfregar o chão).

 

Ontem não havia. Assim de repente, é o defeito de que me lembro. (Há online, já estou a tratar do assunto).

 

Não foi perfeito, prefiro sempre ambientes mais pequenos, e estar lá à frente (não me estou a queixar maninha, agradeço muito os bilhetes), e aquele início meio frio deixou-me ansiosa, mas gostei muito. Se houvesse outro espectáculo hoje, ia outra vez :)

 

Para os que não conhecem a cena de Leipzig, fica o vídeo. Não foi assim, ontem (não chove no Coliseu), mas foi parecido, e foi muito bom.