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Jonasnuts

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Os desafios do direito de autor

Jonasnuts, 07.08.14

Isto é o tipo de história que me diverte.

 

Aqui há uns anos, um fotógrafo chamado David Slater, aparentemente reconhecido fotógrafo de vida selvagem, andou pela Indonésia a fotografar um bando de macacos. Numa das interacções entre o homem e o macaco, um dos bichos pega na máquina fotográfica, e faz um selfie (na realidade faz centenas de fotos, mas aproveitou-se pouco)

 

 

 

A Wikimedia Commons (uma base de dados com 22,309,460 ficheiros de média, e para a qual qualquer pessoa pode contribuir) pega na selfie do bicho, e adiciona-a à sua enorme lista de fotos que podem ser usadas livremente.

Ora o David Slater não gosta. Pois que diz que a foto é dele.

 

A Wikimedia diz que o direito de autor da foto é do macaco, e não tira a foto. 

 

E parece que andamos nisto há já um bom bocado.

 

Adoro. A sério. 

 

Obviamente, o direito de autor é do macaco. Mas gostava de ver isto num tribunal :)

Vi a notícia aqui, mas refere esta como fonte.

 

 

 

 

 

3 comentários

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    Jonasnuts 19.08.2014

    Neste caso, do que se sabe, não houve planeamento técnico pré-foto (a não ser que se considere carregar a máquina e meter-lhe um cartão de memória como planeamento pré-técnico) e o único trabalho de edição foi um reenquadramento menor que, de acordo com o que li acerca do tema, não são suficientes para que o Slater possa reclamar direitos de autor. Pode, eventualmente, reclamar direitos de autor sobre as alterações que tenha feito, mas não sobre a obra na sua totalidade.

  • Sem imagem de perfil

    Ricardo Barradas 19.08.2014

    Citando de um dos links:

    "To try and capture a unique close-up angle, he tried something quite creative (and brave, considering the value of his cameras); he set the camera up on a tripod, adjusted the lighting, composition, depth-of-field, flash settings and focus, and watched to see what the macaques would do.

    Not surprisingly, they played with the camera, which was shiny, reflective and made a lot of funny noises. In the end, they also took a lot of pictures, including a few of themselves. This was precisely what Slater hoped would happen, and what he had orchestrated. It is NOT a “selfie.”

    O artigo continua a história e defende, como corolário, que é a intenção e a visão do Slater que importam neste caso, e não quem carregou efectivamente no botão - isso será o pormenor que menos importância tem para definir a quem pertencem os direitos.

    --

    À cerca dos eventuais direitos de autor parciais: se parte são do Slater e a outra parte de ninguém (o macaco não é uma pessoa jurídica), os únicos que têm relevância prática são do Slater.

    Como disse/dissemos, vamos ver que argumentações são usadas em tribunal, se o caso lá chegar, e quais são as que prevalecem. O caso, aparentemente, é único - o primeiro deste género a estar no centro de uma disputa sobre direitos de autor.

    Cumprimentos

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