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Jonasnuts

Cara Inês Pedrosa #pl118

Verifiquei, com alegria, que se juntou ao debate sobre a Lei da Cópia Privada.

 

Confesso que não fiquei espantada com a opinião. Mas surpreendeu-me a desonestidade ou, em alternativa, a ignorância.

 

 

A lei da cópia privada permite copiar, para uso pessoal, uma obra que eu tenha comprado. 

 

Em que é que esta cópia causa prejuízo que deva ser remunerado? E de que forma é que se calcula a compensação equitativa referida na lei? 

 

Não vejo qualquer resposta por parte dos autores ou de quem propõe esta lei, a estas duas perguntas, que são as premissas da lei.

 

A única coisa que vejo é uma histeria de argumentos que nada têm a ver com a lei..... acusações de que quem está contra pertence a um qualquer movimento de interesses em defesa da indústria do electrodoméstico. Convenhamos que é uma acusação divertida, vinda de onde vem.

 

A taxa é aplicada a dispositivos que nada têm a ver com as obras produzidas. Dá-me igual que seja sobre discos rígidos ou que seja sobre talheres. A relação com a obra produzida é nula. Se a lei propusesse uma taxa sobre talheres eu insurgir-me-ia da mesma, sendo provavelmente acusada de ser uma vendida à indústria da cutelaria, assim sou uma vendida à indústria da torradeira. É pena. Estou mais precisada de facas do que de torradeiras.

 

Há uma outra questão a que os autores e seus representantes insistem em não responder. 

 

O direito de autor é dos autores e dos seus representantes. Se os autores e seus representantes acham que existe um prejuízo na cópia privada, estão no seu completo direito de cobrarem esse prejuízo (embora o pudessem absorver, que é o que recomendam à indústria dos electrodomésticos), mas, dizia eu, se acham que esse prejuízo existe, pois que o cobrem. Nada contra. Eu acho que o dono da coisa é que deve estabelecer o preço do seu trabalho.

 

Porque é que não cobram na venda da obra?

 

A maioria das pessoas que compra dispositivos para alojamento de ficheiros não o faz para alojar cópias privadas. Não é certo, sequer, que tenham comprado obras que possam copiar. A única coisa que se sabe é que compraram espaço de alojamento.

 

No entanto, quem compra obras passíveis de ser copiadas (que hoje em dia são apenas CDs e livros em papel), pode, certamente, fazer a cópia (embora nada garanta que o venha a fazer).

 

Porque é que não cobram na obra?

 

Cobrar na obra faria com que a sua analogia funcionasse.

 

"Ninguém estranha que médicos, advogados, carpinteiros ou mecânicos sejam pagos pelo seu trabalho."

 

Mas toda a gente estranharia se tivesse de pagar uma taxa, sobre a compra de papel higiénico, para financiar os advogados, ou os médicos, ou os carpinteiros, ou os mecânicos.

 

O que escreve na sua crónica demonstra falta de honestidade intelectual ou, em alternativa, desconhecimento sobre o tema que aborda.

 

Tem razão, como já lhe disse no Twitter, não tenho qualquer respeito nem por uma nem por outro.

 

 

3 comentários

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    jonasnuts 19.09.2014 18:22

    Obrigada :)

  • Sem imagem de perfil

    Ângelo Ventura 19.09.2014 20:11

    Lendo todos estes comentários debato-me com uma simples questão seremos todos os que compram uma pen, um CD, um disco rígido, etc... Piratas? Se sim ARHG MATIES... Agora mais a sério, toda esta lei e debate é uma forma circense de mascarar mais um imposto criado por um governo sem imaginação. Em relação aos autores que alegam que lhes roubam propriedade intelectual com a copia privada ou até a pirataria apenas vos digo se realmente for bom quem gosta compra. Quem procura na net uma música para fazer download e colocar numa pen só não compra provavelmente, porque será mais um álbum para encher chouriços... Os autores deveriam primeiro pensar se o que lançam é realmente de qualidade ou mais um álbum, livro ou filme. Falar aqui que gastou centenas de euros em filmes músicas ou livros para mim só demonstra uma falta de respeito por quem de certeza o gastaria em comida se o tivesse.
    Gostaria que quem afirma que lhe "roubo" a propriedade quando faço uma copia de algo que comprei me explicasse o porquê de tal afirmação visto que os contratos celebrados entre artistas e editoras é referente a edições e não o número de cópias vendidas. Esta lei é mais uma vez uma forma de proteger as grandes editoras e não o pequeno autor. Mas a discussão é inútil num governo de coligação com maioria a lei passa na assembleia.
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