Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Jonasnuts

Jonasnuts

A importância crescente de pensar pela própria cabeça

Jonasnuts, 26.10.11

Caiu-me a ficha hoje, durante o dia, e tive uma epifania.

 

Uma das coisas mais importantes que devo ensinar ao meu filho, para além dos valores de pessoa de bem, é saber pensar pela sua própria cabeça.

 

Numa sociedade com excesso de informação (como a nossa), é imprescindível que se saiba olhar para o que nos apresentam como sendo factos, e questioná-los. As fontes de informação do passado, bem como a ética que as costumava reger, têm vindo a deteriorar-se, seja por falta de capacidade, seja por ignorância, seja de propósito. Se não sabemos pensar pela nossa própria cabeça, somos apenas e só mais um número, a contar para as estatísticas que os que mandam vão usando como argumentos disto e daquilo.

 

Veio isto tudo a propósito duma "notícia", do SOL, de hoje, que diz "O número de pedidos de informações sobre utilizadores dos serviços da Google, apresentados pelo Governo português, aumentou de 92 para 161 pedidos no início de 2011".

 

Estranhei, claro. Por que raio andaria o Governo a pedir identificação fosse de quem fosse, ao Google?

 

Fui à cata da origem da coisa, e, presumo que a "notícia" se baseie num relatório do Google, que pode ser encontrado aqui.

 

Ora, o Google não tem obrigação de saber como é que as coisas funcionam em Portugal, daí que, se refere pedidos do Governo, erra, mas desculpa-se, sobretudo porque mais abaixo, no relatório, diz "The statistics here reflect the number of law enforcement agency requests for information we receive at Google and YouTube". Portanto, law enforcement agency requests.

 

Aos senhores do Sol, recomendo vivamente uma breve revisão da matéria do 7º ano do 3º ciclo (matéria que revisitei há pouco tempo), e que reaprendam que em Portugal, há 3 ramos de poder, completamente separados e independentes. O Legislativo (o parlamento), o Executivo (o governo) e o Judicial (os tribunais). Quem pede ou deixa de pedir identificação ou informações sobre os utilizadores são as "law enforcemente agencies" portanto, os Tribunais. Não o Governo. E este é um erro de ignorância gritante, ou, mais grave, de tentativa de manipulação da opinião pública.

 

Em tempos, alguém inspirado (e doutra época), chamou à imprensa o 4º poder (para além dos 3 acima descritos, percebem?). Até pode ter sido verdade, em tempos, mas nos dias que correm, este 4º poder enfraquece, a olhos vistos, fruto da incompetência e da ignorância e da falha em fazer chegar a quem está do lado de cá informação fidedigna.

3 comentários

  • Imagem de perfil

    Jonasnuts 27.10.2011

    Olá Jorge, obrigada pelo input.

    Na realidade, de acordo com a Lei Portuguesa, o minsitério público e polícia judiciária só podem pedir dados aos servidores, depois de mandatados para o efeito por um tribunal. Ou melhor, o servidor, apenas pode dar os dados de um utilizador, depois de lhe chegar a ordem do tribunal nesse sentido. A polícia judiciária e a PSP não bem podem pedir o que muito bem entenderem, mas só com ordem do tribunal, é que os dados são fornecidos. E, cria-me, sei do que falo.

    Seja como for, e não nos perdendo com "detalhes", a verdade é que, pela sua lógica, todos os funcionários públicos são representantes do Governo.

    Na sua perspectiva, no final do ano lectivo, seria legítimo um órgão de comunicação social escrever como manchete "Governo chumba milhares de alunos"?

    E que, de acordo com a sua lógica, um professor responde ao conselho directivo duma escola, que por sua vez responde à direcção da escola, que por sua vez reponde à direcção geral de educação da região, que por sua vez responde ao ministério da educação, que por sua vez está sob a orientação do Ministro, que é membro do Governo, logo, um professor é membro do Governo. É isso?
  • Sem imagem de perfil

    jorge santos 27.10.2011

    a PJ ou a PSP (ou qualquer outro orgão de polícia criminal) pedem ao ministério público um determinado método de prova (seja pedir informações à google seja uma escuta telefónica, seja uma busca domiciliária, etc)e este valida ou não esse pedido. os "tribunais" só servem para posteriormente apreciar as provas recolhidas. de salientar que o ministério público é liderado por magistrados (juízes), ou seja está salvaguardada a indepedência.

    se a PJ pede informação sobre um cidadão português à Google, esse pedido é indiscutivelmente pedido pelo governo (naturalmente que validado por um magistrado do ministério público).

    a PJ não é independente do governo ao contrário dos "tribunais" que o são, apesar da orgânica dos mesmos estar sob tutela do ministério da justiça.

    e se um aluno é chumbado não faz sentido dizer-se que foi chumbado pelo governo, no entanto se quisermos pôr as coisas dessa forma, é perfeitamente plausível dizê-lo.

    ao contrário de se dizer que um determinado cidadão foi condenado pelo governo. Porque não é o governo que o condena, mas sim o poder judicial. no entanto quem reúne as provas que o permitem condenar é o governo através das suas polícias que depois vêm o seu trabalho escrutinado pelo poder judicial, primeiro pelo ministério público que decide acusar ou não o cidadão tendo em conta os elementos obtidos pelos OPC, depois por um magistrado de instrução criminal (fase facultativa) e por último por um juíz do tribunal criminal. Ou seja o governo recolhe prova, o poder judicial decide quanto à prova. o caso do pedido de informações à google insere-se no momento de recolha de prova, logo é o governo que está a pedir a informação.
  • Comentar:

    Mais

    Comentar via SAPO Blogs

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.