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Jonasnuts

Jonasnuts

Idealista

Jonasnuts, 24.03.11

Dizem que os jovens são idealistas, e depois aprendem.

 

Pelos vistos, essa foi mais uma coisa que não aprendi.

 

O que me custa mais, nas legislativas que aparentemente vão acontecer, não é ter de passar por outra campanha eleitoral (e esta, a julgar pelos intervenientes vai ser do piorio), o que me custa não é o debate vazio, nem a demagogia a jorrar, nem o barulho e a poluição visual e sonora.

 

O que me custa mesmo é ter de olhar para isto tudo e decidir com base no critério "mal menor".

 

Não vamos, nestas eleições, escolher aquilo que achamos melhor para o país. Vamos escolher aquilo que achamos que dará menos prejuízo.

 

E como é que eu explico isto ao meu filho? E como é que eu explico isto à idealista que me habita?

12 comentários

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    J.C.Lopes 24.03.2011

    O problema desse raciocínio é: O que temos nós de melhor cá?
    Do meu ponto de vista, não temos que "ter medo do desconhecido" porque não é preciso ter-se sido governo para os conhecermos.
    Dos partidos que já foram governo, todos nós já sabemos o que valem. Dos que ainda não foram, parece-me que também, se não sabemos pelo menos imaginamos o que valem.
    Demagogia e populismo não enchem a barriga de ninguém e é apenas o que esses partidos têm mostrado.
    Parece que estamos condenados a dois partidos, e nesses acho que não vale a pena apostar porque já os conhecemos.

    Estamos mesmo tramados.
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    Sandra Cunha 24.03.2011

    esqueci-me de acrescentar que essa postura de achar que se conhece o que não se experimentou ainda de facto me faz lembrar os putos que em frente de um prato de sopa dizem logo que não gostam antes sequer de terem provado.

    Podes acreditar que os 'outros' serão iguais. Mas não podes prová-lo antes de experimentares.
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    Terebi-kun 24.03.2011

    Há muitas coisas que as pessoas escolhem não fazer sem nunca terem experimentado, e não é por isso que deixam de ser boas escolhas. Quem nunca foi atropelado, não deixa de ser boa escolha não querer meter-se à frente de um carro.

    Quando vejo pessoas dizerem que partido X ou Y é demagógico ou populista, infelizmente têm razão para o dizer. O PP às vezes parece que diz coisas acertadas, mas é só para nos enganar, a ver se o levamos a sério. O BE está contra os cortes e os aumentos de impostos, mas não dizem onde se vai buscar o dinheiro. Recentemente percebi porquê: a ideia deles é convencer a Europa e os outros a não termos que pagar o que devemos. Boa sorte com isso. O PCP recusa-se a evoluir de um modelo que não é muito diferente de uma ditadura. Quais são as alternativas? O Partido Monarquico? O PNR? O MMS? Quais são as propostas deles?

    Mas de facto, é preciso não ter medo de mudar, ainda mais hoje em dia. Eu gostava de ver mudar a maneira como se faz política.

    Sobre o idealismo, há uma coisa que me deixa de pé atrás: nada obriga o idealismo a ter um mínimo de correspondência com a realidade.
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    Sandra Cunha 25.03.2011

    A comparação parece-me injusta. Não é por se escolher uma orientação política diferente para o país, que se vai morrer ou ficar gravemente ferido como aconteceria se fossemos atropelados...

    Sobre os outros não sei. Sobre a critica que é feita ao BE, sugiro a consulta dos programas eleitorais, das várias propostas de Lei, projectos de resolução, entre outros, apresentados no Parlamento.

    O dinheiro vai buscar-se à revisão das Parcerias Público-Privadas, à taxação da banca (que coitaditos são uns pobrezinhos e por isso pagam menos, muito menos, do que qualquer outra empresa), das offshore's, à obrigação do pagamento de impostos sobre os lucros com os negócios das grandes empresas (e houve tantos nestes 2, 3 últimos anos!) que recorrem a subterfúgios completamente imorais e até ilegais para fugirem às suas obrigações, à proibição de acumulação de pensões e salários exorbitantes de altos funcionários públicos, etc, etc, etc. Alternativas têm sido apresentadas. As pessoas é que andam desatentas.

    Se há uma coisa de que o Bloco (falo deste porque é do que sei) não pode ser (legitimamente) acusado é de não apresentar alternativas e vias para se chegar a elas. Mas fico sempre com a impressão que as pessoas escolhem a via mais fácil de acusá-los de demagogia e de falta de propostas alernativas. Sempre deve ser mais fácil do que ouvir o que não se quer ou de ler os documentos com atenção.

    E até podem não concordar com as soluções propostas, mas acusá-los de apenas criticarem e não apresentarem alternativas não é correcto e mostra falta de conhecimento...

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    Terebi-kun 25.03.2011

    "A comparação parece-me injusta."

    A comparação era só para responder ao argumento de que sem experimentar, não se pode saber como será ("Podes acreditar que os 'outros' serão iguais. Mas não podes prová-lo antes de experimentares."). Este argumento tem um problema: está-se a argumentar que uma razão válida para colocar um partido no poder, é ele nunca lá ter estado, pois não sabemos como será. Só que essa razão tanto é válida para o BE como para o PNR como para os Monárquicos. Não diz nada sobre o partido em si, nem sobre o que vai fazer. Daí achar que não seja uma boa razão para explicar porque se deve colocar partido X no poder (será preciso arranjar outras).


    "O dinheiro vai buscar-se..."

    Algumas dessas propostas já deviam ter sido feitas (ex.: PPPs, acumulação de pensões) mas continua a haver um problema: o BE dá a entender que se formos buscar esse dinheiro aos mais ricos, não é preciso cortar na despesa. E é aí que o BE peca: sobrestimam a capacidade que os "ricos" em Portugal têm para pagar o que o Estado anda a gastar. Aliás, esta posição é uma das razões para se considerar o BE demagógico.

    Em relação às PPPs até tenho medo. É preciso renegociá-las o mais depressa possível, mas não sabemos o que será possível mudar, tendo em conta os contratos que o Estado assinou.
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    Sandra Cunha 25.03.2011

    Não argumento que se deve colocar um partido no poder só porque ele nunca lá esteve, evidentemente. Argumento que há várias alternativas para vários gostos, ao longo do espectro político e que não se está reduzido a dois partidos, como muitos querem fazer acreditar.

    "Algumas dessas propostas já deviam ter sido feitas". Mas já foram feitas! Várias vezes. E sucessivamente recusadas pelo PS e PSD. O BE não quer que os ricos paguem o que o Estado anda a gastar. Quer que também paguem o que é devido (o que actualmente não acontece). Quer apenas justiça social. É sempre isso que tem pedido. nem mais, nem menos.

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    Terebi-kun 25.03.2011

    Mas essas medidas não são suficientes, faltam as realmente difíceis. E é por isso mesmo que o BE é considerado demagógico, apresenta predominantemente medidas populares (ex.: fazer os ricos pagar mais).
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    Sandra Cunha 25.03.2011

    Agora não tenho os valores de cabeça, mas várias contas foram feitas. As ideias não se mandam para o ar assim como bitaites. São analisadas, debatidas, esmiuçadas e só depois vêem a público. Espero que funcione assim em todos os partidos, se bem que duvido...

    E dizia eu, que segundo as contas apresentadas, os pagamentos (não é a mais, é apenas os devidos) da Banca, offshore, fortunas milionárias e o que se conseguiria com todas as outras medidas, juntamente, evidentemente com o controle das despesas (não acumulação de ordenados e pensões milionárias, tectos para os salários dos gestores públicos, ppp's, e outras) daria para não congelar pensões, reduzir salários, cortar apoios sociais.

    Na minha perspectiva, não são medidas populistas. São medidas justas! Porque é que são sempre os mesmos a pagar a crise? Ainda se TODOS pagassem, eu ficaria ais do que feliz por contribuir, mas como não é assim, sinto-me usada, roubada, humilhada. Não é populismo. É elementar justiça.
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    Terebi-kun 25.03.2011

    Repara que todas as medidas que apresentaste, mesmo as de controlo de despesa, são populares. Só estou a dizer isto porque perguntaste "Demagogos, especificamente, porquê?".

    O real problema aqui é o seguinte: o estado cresceu durante muito tempo a uma velocidade maior que a economia. Pior, a parte que mais cresceu no Estado foi a das prestações sociais: pensões, subsídios. O BE propõe taxar os mais ricos para compensar este crescimento. O problema é que se não houver crescimento económico, mesmo os mais ricos não vão fazer dinheiro suficientemente depressa para pagar o que falta (e com os buracos que os governos sucessivamente têm vindo a esconder, ainda tenho algumas dúvidas que já o pudessem pagar neste momento). E isto é metade do problema, ainda temos a dívida externa.

    Então estamos neste impasse. O Estado comprometeu-se a obrigações que agora não tem dinheiro para pagar. Soluções: corta-se na despesa (i.e.: prestações sociais, e é isto que o BE e muitos outros partidos não dizem) ou faz-se crescer a economia. Infelizmente ninguem tem receitas para pôr uma economia a crescer (e quem diz que tem está a enganar as pessoas). Tem-se algumas ideias do que pode ajudar: justiça a funcionar, menos burocracia... mas não se sabe com certeza o que pode funcionar em cada situação. E qualquer que fosse a solução, é sempre algo para o médio-prazo, demora tempo. Portanto, no curto-prazo, não vamos ter a economia a crescer. Nós estamos num grave problema.

    Algumas das ideias apresentadas pelo BE podem ser interessantes e devem ser levadas a sério, mas enquanto o partido não reconhecer que além dos ricos pagarem mais, os menos ricos também terão que prescindir de alguns benefícios que lhes foram sendo dados, não podem ser levados a sério como alternativa de Governo.
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    Sandra Cunha 25.03.2011

    Bem, eu continuo a considerar que estas medidas não são populistas mas sim justas. As outras, as que têm vindo a ser aplicadas são totalmente liberais e em última instância, também podes considera-las populistas. Para os patrões, para os bancos, para os milionários. São populistas apenas para uma parte (muito reduzida) da população. E isso não é justo.

    O problema do crescimento económico coloca-se também e em grande medida na classe média (e até baixa) que está a arcar com a crise toda. Se reduzem os salários, cortam apoios, congelam pensões, retirar subsídios de desemprego, de férias, de Natal, onde achas que as pessoas vão arranjar dinheiro para comprar coisas? Sem procura a oferta também vai diminuir. Isso já se sente na construção, nos bens não essenciais...Pessoas sem dinheiro não podem comprar. Se não compram há outros que não vendem e ficam por sua vez com menos dinheiro e por aí fora. Não me parece muito complicado de perceber o cenário.

    E por alguma razão os únicos bens que registaram aumentos de vendas no nosso país, foram os bens de luxo (carros, roupas, casas, etc...). Porque será?!

    Volto a insistir que o Bloco não defende que sejam só os ricos a pagar. O que defende é que todos pagam. Todos. O que não acontece com as medidas liberais que têm vindo a ser aplicadas. E só não vê quem não quer ou quem não lhe interessa.
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    Terebi-kun 26.03.2011

    Repara que as medidas parecerem "justas" a um grande número de pessoas é precisamente uma das características das medidas demagógicas. Apresentar isso como argumento não te vai ajudar, se quiseres mostrar que o BE não é demagógico.

    Como à parte, chamar as medidas "dos outros" de "liberais" também não ajuda à discussão. É parecido ao que os Republicanos fazem na America, quando chamam de "socialistas" às medidas do Obama, é só chamar nomes.

    O que me motivou a vir discutir aqui foram duas coisas: o argumento de que sem experimentar, não se pode saber como será, e a ideia de que é injustificada a classificação do BE como demagógico.

    O primeiro ponto já foi resolvido, em relação ao segundo não estou a ver condições para a discussão avançar. Vou ficar por aqui.
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