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Jonasnuts

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Música Erudita para Totós

Jonasnuts, 15.02.11

É o livro de que preciso, a verdade é essa.

 

O meu iTunes faz muito morto dar voltas na campa, por se saber na mesma base de dados de muito outro morto (e vivo), mas tem uma (?) lacuna grave, a música clássica erudita.

 

Se o meu filho me fala de Queen, de Zeca, de Barbra, de Beatles, de Stones, de Trovante, enfim, duma série deles (uns mais obscuros que outros) eu consigo mostrar-lhe e dar-lhe a ouvir (em alguns casos a obra completa), mas quando o meu puto se vira para mim, que virou, e me diz que curte a Lacrimosa de Mozart, eu fico muda e queda.

 

Abençoada internet, que à distância de meia dúzia de teclas me elucida (e que foi, em primeiro lugar, o que lhe deu a conhecer a tal da Lacrimosa, que afinal é o Lacrimosa, porque é um Requiem).

 

E agora? Música clássica erudita no meu iTunes é coisa rara. Tenho um dos melhores álbuns de todos os tempos, o Hush do Bobby McFerrin, mas pouco mais.

 

Como é que eu lhe dou a conhecer um mundo que desconheço?

 

Há algumas músicas e/ou compositores cuja obra seja mais adequada às crianças? Confesso que a tal da Lacrimosa é belíssima, mas porra, é um Requiem, não há coisitas menos carregadas, mas igualmente belas?

 

Vá, ajuda precisa-se, que eu, nesta matéria (e em tantas outras) sou uma totó :)

4 comentários

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    Francisco 19.02.2011

    Nao se deve dizer nada música erudita. Deve dizer-se música classica ou séria ou o que te apetecer mas nunca musica erudita, porque essa musica nao tem nada de erudito, é apenas uma catalogacao. c.f. wikipedia alema: "Der Begriff klassische Musik wird als Synonym für Kunstmusik beziehungsweise ernste Musik (E-Musik) und als Gegenbegriff zu Popularmusik (U-Musik, Unterhaltungsmusik) sowe Volksmusik – die regionaltypische Musiktradition – verwendet" ( O conceito música clássica é utilizado como sinónimo de música artística ou música séria em contraposicao com a música popular e música popular de tradicao regional.

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    Luís Ferreira 19.02.2011

    A terminologia fundamenta-se em convenções e estas podem variar de um país para o outro. Assim, nem sempre termos semelhantes em línguas distintas tem significados equivalentes. Vou dar dois exemplos concretos também no âmbito da arte:

    1- Modernismo: Em Portugal, e posteriormente no Brasil, o uso dos termos “modernismo” e “modernista” surgiu aplicado a práticas artísticas e literárias de vanguarda ocorridas nas décadas de 1910 e 1920, sendo fruto de um equívoco jornalístico numa crítica ao Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa, 1914), publicada no Jornal de Notícias (Maio de 1914). Passou então à linguagem comum, caracterizando artistas e objectos artísticos adjacentes a atitudes de modernidade. Um equívoco que, como refere José-Augusto França em (In)definições de cultura, por uma “facilidade de catalogação” haveria de perdurar, continuando ainda actualmente a ser empregue regularmente por críticos e historiadores da arte e da literatura.
    Internacionalmente, Modernism corresponde ao movimento e corrente estética que se designa por Movimento Moderno – referindo-se sobretudo a um tipo de arquitectura e design, dito moderno, surgido a princípios do século XX (1906) –, tendo como ponto de partida o proto-racionalismo alemão e a fundação do Deutscher Werkbund, consolidando-se internacionalmente depois da Segunda Guerra Mundial. Em Espanha, por exemplo, Modernisme remete para o movimento estético catalão que nós designamos por Arte Nova.

    2- Arte Nova: este movimento estético tomou ou recebeu vários nomes consoante os países em que se manifestou – Jugendstil na Alemanha, Nieuwe Kunst nos países baixos, Sezessionstil na Áustria, Style Liberty na Itália, Art Nouveau em França, Arte Nova em Portugal e Modern Style na Inglaterra.

    Retomando a questão da música. Música Erudita e Música Clássica, do ponto de vista do estudo da música e não do ponto de vista global da utilização vulgar dos termos, não são, de todo, a mesma coisa. Música Clássica, em rigor, é a música composta num período específico da Música Erudita. Confunde-se vulgarmente Música Clássica com a Música Erudita, mas, Música Clássica refere-se somente ao Período Clássico que se situa, mais ou menos, entre a metade do séc. XVIII até à metade do séc. XIX. A expressão “Música Erudita”, tal como ela é compreendida no âmbito musical, é o conjunto dos períodos que vão desde o medieval até os dias de hoje. O estudo da música designou a expressão Música Erudita, para deixar claro que ela não é, somente, clássica, eliminando-se, assim, todas as possíveis ambiguidades.

    Quando há mais que uma designação expressiva para uma ideia, por qual devemos optar? Como devemos, então, proceder neste caso, quando quase toda a gente (na qual eu me incluo normalmente) se refere à Música Erudita pela expressão Música Clássica? É a velha oposição entre o valor semântico e o valor pragmático dos termos. Se por um lado a expressão Música Clássica se refere a um período específico da Música Erudita (o seu valor semântico, o que a expressão quer mesmo dizer por si mesma), pelo outro lado, temos o uso que fazemos dela (o seu valor pragmático, a forma como a maioria se exprime).
    A expressão “Música Clássica” é a que, vulgarmente, se usa para fazer referência à Música Erudita porque foi na época, imediatamente, posterior a este período cultural, que o vulgo começou a fazer referência à música dos eruditos. Portanto, a expressão Música Clássica vulgarizou-se para designar toda a Música Erudita já que foi nesta altura que ela começou a se tornar mais acessível a todos. A Música Erudita evoluiu, então, como já tinha evoluído antes, e passando a ser Romântica, mas, a grande maioria continuou a chamá-la Clássica, e assim foi até hoje.
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    Jonasnuts 19.02.2011

    E de repente, o meu passou a ter comentários eruditos :) (e não clássicos :)
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