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Jonasnuts

Bullying ou rufias (como queiram)

Sou primeira filha. Até aos 3 anos, os meus pais, que trabalhavam ambos fora de casa, deixavam-me de manhã em casa dos meus avós e iam-me buscar ao fim do dia. Nada de infantários, creches ou contacto com outras crianças.

 

De repente, tinha eu 3 anos, nasce-me uma irmã, e vai tudo para o infantário, por razões que agora não vêm ao caso.

 

Ora eu, era uma flor de estufa, como poderão calcular. A menina, a princesinha que punha e dispunha em casa dos avós, de repente, viu-se atirada aos lobos, os gandulos que já sabiam da poda porque estavam no infantário desde que tinham 1 mês (na altura era o que havia de baixa de parto). Em casa dos meus avós, faziam-me as vontadinhas todas, não gosta desta comidinha? A avó faz outra (e fazia), enfim.....aturavam-me as manias todas, próprias de quem tem 3 anos e percebe que faz daqueles adultos os que quiser, Em casa fiava mais fino, mas mesmo assim, era eu o centro das atenções.

 

Ora, de repente, não só deixo de ser o centro das atenções em casa (a mais nova, evidentemente precisava de mais atenção) como me atiram para um meio agressivo, cheio de adultos para quem eu era apenas mais uma, e, sobretudo, para o meio de uns selvagens que não percebiam que eu era mais importante, e que me batiam, e que me roubavam os brinquedos.

 

Não sei quanto tempo durou, sei que me lembro de odiar ir para a escola. Lembro-me de chorar baba e ranho, lembro-me de odiar os professores, lembro-me de ser muito boa aluna, especialmente a português e de perceber que nem assim me safaria.

 

Lembro-me de me queixar em casa que os outros meninos me batiam, mas não sei se fizeram alguma coisa.

 

Lembro-me, sobretudo, da primeira estalada que dei na escola. Um dia farta de levar biqueiros, e puxões de cabelo, e beliscões, e empurrões, virei-me aos maus.

 

 

Foi remédio santo. Assim que percebi que afinal não era tão impotente como isso, e que quem vai à guerra dá e leva e que a melhor defesa é o ataque (vestígios da tropa do meu pai) e, principalmente, porque era corajosa, e nunca fui de andar à luta como as meninas (se era para bater era de mão fechada e os pontapés iam direitinhos ao sítio certo), a coisa resolveu-se.

 

Fui vítima de bullying? Fui. Não tinha era um nome tão fino. Como é que resolvi? Olhem, desenrasquei-me. Os meus pais deixaram de ouvir queixas minhas em casa, passaram a ouvir queixas de mim, na escola. Do mal o menos, terão pensado.

 

É difícil o equilíbrio entre a protecção que queremos dar aos nossos filhos (e se eu sou mãe-galinha) e a autonomia que temos de lhes dar, para se desenmerdarem, para fazerem pela vida, para se desenrascarem, para aprenderem a resolver problemas.

 

É sempre um dilema. Protejo-o e transformo-o numa flor de estufa, vou à luta por ele, vou à luta com ele, deixo-o da mão para ele resolver?

 

Penso que optaria por um misto. Ia à luta diplomática com ele, e se fosse preciso, nas costas dele, dar um enxerto de porrada nos pais das criancinhas bullies, acho que também se arranjava.


4 comentários

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    jonasnuts 09.03.2010 16:39

    Levar porrada, todos os dias, com 3 anos, de alunos que eram mais velhos que eu, por acaso, achei que era bullying. Tinha terror de ir para a escola, chegava a ficar doente. Não me ameaçavam de morte, porque penso que aos 4 ou 5 anos esse conceito não existe. O facto de ter acontecido quando eu era mais nova, não quer dizer que não fosse bulying.

    A violência sistemática, na escola, é considerada bullying a partir de que idade?
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    Marta 09.03.2010 23:54

    Agora não percebi. Era "briga de escola" ou era requinte de malvadez?
    No post dá a entender que era a menina mimada que achava que era a única no mundo e descobriu que não era, que tinha que partilhar o espaço, os adultos, as atenções com os outros. E que pelo meio andava à porrada como qualquer criança normal, isto é, levava, mas também dava.
    Agora diz que não queria ir à escola por violência sistemática, como se não se tivesse podido nunca defender.
    São coisas diferentes. Uma vitíma de bullying não é v´´itima de um rufia. É vitima de uma pessoa pérfida. Rufia é aquele que "só quer aparecer", que até bate (no primeiro que lhe aprece à frente e não numa(s) pessoa(s) quase escolhida(s) a dedo), que até ameaça, que até discute com os pais, com os professores e funcionários, mas só até ao dia que alguém "lhe põe o dedo no nariz" e o deixa manso como um cordeiro.
    Um bully (apesar de a tradução ser rufia) vai mais além disso. É aquele que bate, que humilha, que destrói até levar a que alguém pegue numa arma e mate todos os que lhe aparecem à frente, até que alguém se atire de uma ponte. E faz isso "só porque sim". Basta ver que quando alguma vítima se rebela e/ou revela as pessoas à volta dizem: "AH! X fazia-lhe Y . Mas não sei porquê." Nunca ninguém entende porquê.
    Porque muita porrada levei eu, sem qualquer motivo plausível (se é que há motivos desses para a violência). E não considero que as crianças que me puseram muita vez a sangrar do nariz fossem desses bullys. Eram crianças mal formadas, mas não eram pérfidas. Bastou aguém metê-los no seu sítio e nunca mais tive problemas no nariz.
    Acho que o bullying acaba por ter uma idade miníma para acontecer. Tem a ver com a compreensão do mundo e há crianças que compreendem mais cedo que outras. Ao perceberem o poder da manipulação e, passo a redundância, o poder do poder sobre os outros, só nessa altura é que podem ser os perpretadores desse conceito que é novo, apesar de o problema ser velho.
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    jonasnuts 10.03.2010 00:06

    Foi o pior de dois mundos, descobri da forma mais dura que não era o centro das atenções. Passei do 8 para o oitenta.

    Quanto à capacidade de manipulação, presumo que não tenha filhos, já que essa manipulação começa a ser exercida desde os primeiros momentos de vida duma criança. Cabe aos pais orientar essa capacidade, e ceder ou não, à manipulação.
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