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Jonasnuts

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Os rankings escolares

Jonasnuts, 12.10.09

Está aberta a época dos rankings. Aquela época em que órgãos de comunicação social pegam nos dados estatísticos, e os trabalham a bem dos seus leitor...não, desculpem, e os trabalham a bem do tamanho de letra da primeira página.

 

Já acreditei mais em rankings das escolas do que acredito neste momento.

 

E confesso que já não estou à espera que haja uma porra dum jornal ou duma televisão ou duma rádio que façam trabalho jornalístico sério, mas irritam-me cada vez mais estas notícias dos rankings.

 

Façam lá um estudo a sério, senhores. Vão lá às escolinhas que estão no topo do ranking, de preferência apenas aquelas em que mais de 50 alunos fizeram os exames, e avaliem a qualidade de vida dos meninos. Vejam quantos deles têm internet em casa, e livros, e vejam quantos deles é que têm explicadores. Lembrei-me destes três factores, todos eles externos à escola, mas que contribuem para os resultados que os alunos alcançam nos exames. Depois de recolhidos esses dados, trabalhem-nos em conjunto com os dados demográficos da área da escola, e com os dados de criminalidade na área da escola, e, só depois disso e aí sim, cruzem os vossos resultados com os dados do ranking.

 

Se quiserem ir um bocadinho mais longe, podem entrar pela escola dentro, e ver se tem associação de pais ou não, qual é a taxa de senioridade dos professores, e qual o tempo médio de permanência de um professor naquela escola, podem ainda ver as condições físicas da escola, e o seu equipamento, e o número médio de alunos por sala, e a taxa de absentismo (de alunos e professores), e eu podia continuar por aqui fora.......

 

Não me tratem como atrasada mental, e não me atirem para a cara números que pintam o quadro como vocês querem vê-lo pintado, e não como ele está na realidade.

 

Dos jornalistas, não quero quadros. Quero fotografias. Sem photoshop.

 

5 comentários

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    Jonasnuts 13.10.2009

    O problema é que se vamos fundamentar a nossa opinião só na nossa experiência pessoal, está tudo lixado, não é?

    A minha experiência pessoal é toda com colégios particulares. Eu andei no privado e o meu filho tem andado no privado (e a primeira escola onde andou era dessas que tem acordo com o ministérior e aceita crianças de todos estratos sociais, a melhor escola que frequentou até hoje).

    A escola onde andei, num tempo em que não havia rankings, era muito bem considerada, cheia de meninos-bem e com dinheiro (bem mais dinheiro do que eu), e no entanto, o ensino era miserável. Andrei naquela escola desde o 5º até ao 12º, e tive MUITOS professores. De todos, 4 ou 5 eram bons.

    Não concordo com a selecção de alunos no ensino público. Todos devem ser incluídos, e isso exclui a sua sugestão de escolha dos alunos por parte das escolas públicas. A não ser que queira criar uma rede de escolas públicas para uns e outra rede para outros. Uma espécie de 1ª divisão e de divisão de honra.

    :)
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    Anónimo 13.10.2009

    Obrigado pela sua resposta, e desculpe não estar à vontade na blogosfera a ponto de me identificar (tenho um nome demasiado googlável e um filho na escola).

    Não sugeri que as escolas públicas devem escolher alunos, disse antes duas coisas completamente diferentes: primeiro, que os resultados das escolas privadas também são resultado de uma forma de se organizarem que é melhor para os alunos, e segundo, que os alunos das melhores escolas públicas já são seleccionados pela regra da área de residência, que faz uma selecção por classe social ainda mais exigente do que a feita pelas entrevistas e pelas propinas.

    Na prática, e isto é muito grave, já existe uma rede de escolas públicas para uns e outra rede para outros, e se os rankings não servirem para mais nada, servem pelo menos para deixar isso muito claro. Mas também é claro que nem as escolas públicas da 1ª divisão estão a ter bons resultados. O problema não são os professores (que são, em média, os que entram nos concursos com classificações mais altas), mas sim a forma centralizada como o ensino público está organizado. Se o objectivo for mesmo a igualdade de oportunidades, a "quota para pobrezinhos" nas boas escolas privadas é capaz, sem ironia, de ser uma boa ideia. E, ao contrário do que muita gente pensa, seria muito bem acolhida em algumas dessas escolas.
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    Pedro Leitão 13.10.2009

    Epá, para tudo que temos aqui vedeta!

    E com nome googlável e tudo, atenção!
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    Bino 13.10.2009

    Curti tanto o termo "demasiado googlável" que vou usá-lo no meu blog. Assim que consiga parar de rir, claro.
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