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Jonasnuts

Estou a criar um monstro machista

Todos os dias de manhã faço uma viagem de casa para escola do puto, para o deixar lá e seguir direitinha à minha vida. Ao fim do dia faço quase o percurso inverso. Não é uma distância muito longa, mas em função das horas, são viagens para demorar meia-hora, cada uma.

 

São momentos em que aproveitamos para conversar, para ficar calados, ouvir rádio, e avaliar o trânsito. O facto de viajarmos num Smart contribui para que a comunicação seja mais fácil. Ele está mesmo ali ao lado.

 

Gosto muito de conduzir, e acho que conduzo bem (há alguém que ache que conduz mal?), mas também acho que ao volante vamos (vou?) buscar o que de mais básico há em nós. A minha personalidade que durante o resto do tempo anda mais ou menos controlada, ao volante, deixa de ter controlo. Sou uma pessoa naturalmente agressiva e competitiva, e detesto chico-espertos, burros e lentos. E estas são características complicadas de gerir, quando se está ao volante.

 

Não chamo nomes aos outros condutores, nem praguejo quando ele está no carro (já quando vou sozinha, pareço uma carroceira, a falar com os botões). E apesar de me controlar bastante, principalmente ao nível da linguagem e da velocidade, quando ele vai comigo, há coisas que me saem pela boca fora, e que já não apanho a tempo.

 

Palhaço, caramelo, imbecil, ass hole são coisas que me oiço a dizer. E juízos de valor e de género. Estava-se mesmo a ver que tinha de ser uma mulher ou, eu sabia que tinha ser um gajo com mais de 250 anos, são coisas corriqueiras e que digo com frequência.

 

Hoje, uma "condutora" parada atrás de mim à porta da escolinha desligou o carro e esqueceu-se do travão de mão. Não faria diferença se a rua não fosse inclinada, como é. Estava eu descansadinha com o puto a tirar as coisas do meu porta-bagagens quando vejo o jipalhaço (what else?) a aproximar-se... Empurro o puto para o lado, dou uma murraça no capot do jipe, e a coisa lá parou. Muitas desculpas, muito atrapalhada, saiu do carro para ver se estava tudo bem, enfim, o expectável. Terminada a sessão, e já cada uma para seu lado, oiço o puto:

 

- Tinha de ser uma mulher!

As minhas desculpas, antecipadas, a todas as namoradas que o meu filho vai ter, mas olhem, aprendam a conduzir.

2 comentários

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    brecke 17.04.2009 10:26

    não sei onde é que está o monstro nem o machista nesta aventura. Há erros que são tipicamente de homem, e há erros que são tipicamente de mulher. Naturalmente, sem forçar mto o estereótipo, este tinha de ser uma mulher.

    Homens é claramente mais velocidade, ultrapassagens perigosas, manobras proibidas, etc. Nestes casos estou sempre à espera de encontrar um adulto na crise dos 40 ou um jovem inconsciente de óculos de sol e a pingar óleo do cabelo. Provavelmente com a namorada ao lado. É triste, mas é verdade.

    Agora, um carro a cair pk alguém se esqueceu do travão de mão? Cheira a chanel por todos os lados. Não há cá monstros nem machismos. É estatística. É probabilidade.

    É preciso admitir que toda a gente comete erros, mas os homens cometem os mais perigosos e as mulheres cometem os mais irritantes (aqueles que nos fazem chamar nomes a torto e a direito!). Perante os erros tipicamente masculinos nem temos tempo de chamar nomes, é apenas tentar sobreviver.
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