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Jonasnuts

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Aos sindicatos dos professores

Jonasnuts, 09.11.08

Caros senhores representantes dos professores,

 

Como cidadã comum, devo informar-vos que tenho acompanhado a vossa luta e os vossos esforços, no sentido de se fazerem ouvir pelos senhores do Governo.

 

Ainda como cidadã comum, devo dizer-vos que a mensagem que têm passado, não corresponde, creio, à realidade.

 

Depois de ouvir as notícias, durante o dia de ontem, a ideia que fica é que os professores não querem ser avaliados e não querem dialogar. Ficou também a ideia de que o governo está aberto ao diálogo e à cooperação.

 

 

Já me disseram aqui no Blog que não é bem assim, que os professores não concordam com o modelo proposto pelo Governo, mas que não estão contra o facto de virem a ser avaliados. É o modelo e o processo que estão errados, não o conceito de avaliação.

 

Os senhores estão, portanto, a fazer chegar a mensagem errada aos cidadãos que, como eu, são comuns. Pode ser que seja uma mensagem compreendida pelos professores, mas as pessoas vulgares, como eu, não sabem disso.

 

Saberão também que, por mais autocarros que tragam para Lisboa e para o Terreiro do Paço, se não tiverem o apoio ou a compreensão, daqueles que são, como eu, pessoas comuns, a vossa posição, por mais correcta que esteja, fica fragilizada.

 

Bem sei que têm alguma experiência em propaganda política, pelo menos daquela que se fazia há uns anos, mas hoje, é preciso mais. Hoje existem consultores de comunicação que podem dar uma ajuda preciosa, para que a mensagem que querem passar seja, efectivamente, a que passa (e não é isso que está a acontecer). Assim de repente, ocorre-me este exemplo.

 

Assim de repente, a mim, cidadã comum, ocorrem-me 3 ou 4 coisas que poderiam ser feitas (e se calhar já estão feitas, mas eu não as encontro).

 

1 - Traduzir para linguagem de pessoas normais a proposta de avaliação do governo.

2 - Responder uma a uma às FAQ disponibilizadas no site do Ministério da Educação.

3 - Dar visibilidade à vossa proposta alternativa, que ainda não consegui encontrar em sítio nenhum (traduzida para linguagem de pessoas normais).

4 - Em circunstância alguma deixarem que os noticiários das televisões abram com declarações bombásticas do tipo "Não estamos disponíveis para o diálogo, não há qualquer possibilidade de acordo". Até pode ser verdade, mas é o tipo de coisa que assim, a abrir um telejornal, não cai bem.

 

Porque, a continuar o actual percurso das coisas, tudo isto passa como uma birra dos professores, que não querem ser avaliados.  E isso não serve a vossa (nossa) causa.

4 comentários

  • Se os sindicatos estão desfasados das realidades profissionais, cabe aos seus associados mudar o que for preciso neles para que passem a estar novamente sincronizados. Os sindicatos não são empresas, ao sabor do capricho de um dono ou gestor, são associações de profissionais de uma mesma classe e, portanto, agem em sua representação. Se isso não está a acontecer isso só pode ser culpa da mobilização dessa classe, que não se faz representar fielmente nas estruturas dirigentes e de base dos sindicatos.
  • Sem imagem de perfil

    Almiscaro 10.11.2008

    100% de acordo, penso ser nisso que consiste uma democracia participativa. No entanto, e de forma a dar alguma transparência, os sindicatos deveríam ser, efectivamente, dissociados dos partidos políticos.
  • Não conheço por dentro a realidade de nenhum sindicato, mas penso que nenhum está ligado a qualquer partido em particular. Isso não impede, claro, que os seus associados tenham opinião política e que as suas opiniões estejam mais próximas deste ou daquele partido. Mais uma vez, a posição de um sindicato é a posição dos profissionais que representa. Quando assim não é, repetidamente, isso é mais culpa dos associados do que dos seus dirigentes.
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