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Jonasnuts

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O mal das janelas abertas, no Expresso

Jonasnuts, 06.10.07



Na revista Única desta semana, há um "artigo", sob a designação genérica de "Bem estar" que tem o título deste post, "O mal das janelas abertas".

O artigo vem assinado por Nelson Marques, que não conheço, não sei portanto qual a sua nacionalidade. Mas sei que escreve num jornal português, o Expresso.

Nessa perspectiva, ficaria bem se usasse o português de Portugal. Reparem, não tenho nada contra o português do Brasil. Não sou sequer da opinião que o português de Portugal seja melhor que o português do Brasil. São diferentes, e são ambos igualmente bons. Cada um no seu país, obviamente.

Assim, se na "Veja" eu ler: "E ainda há tempo e espaço para consultar três blogues, comunicar com quatro ou cinco pessoas no Messenger e baixar as músicas do computador para o leitor de MP3." eu não estranho.

Acho normal, porque no Brasil, não se transfere, baixa-se. No Brasil, não é um ficheiro, é um arquivo. E mais diferenças há. Saudáveis, respeitáveis, ditadas muitas vezes pela proximidade geográfica dos EUA, ou de quaisquer outras influências menos lusas. 

Mas, a verdade é que eu não estava (desta vez) a ler a Veja, estava a ler a Única, do Expresso.

Um jornal português, de Portugal. Onde se deveria usar o português, de Portugal.

Em Portugal, não baixamos nada a não ser, talvez, as calças. Eventualmente, no contexto do artigo, poderemos transferir as músicas do computador para o leitor de MP3, mas, definitivamente, não as baixamos.

E pronto....depois de ler isto, que vem logo no início do artigo, deixei de acreditar no que ali estava escrito ou, melhor, o meu sentido crítico perspectivou-se de outra forma.

Assim, informo o autor do artigo que, em primeiro lugar, para estar a fazer aquelas coisas todas ao mesmo tempo, o "Daniel" seria obrigado a ter um super computador, com um processador muito acima da média. Como há poucos computadores desses em Portugal, para estar a fazer aquilo tudo ao mesmo tempo, o "Daniel" teria de esperar tempos infinitos pela resposta do computador, pelo que, nada mais natural do que empregar esse tempo para se distrair.

A saber, o personagem da história estaria a elaborar a monografia de final de curso em aplicação não especificada, mas era provavelmente o curso de gestão, portanto estaria a usar o power point e o excell, estava também a aceder ao mail, num site de fotos, num site de vídeos, a consultar um PDF, a fazer o download de músicas, em 3 blogs, na conversa, via messenger com 5 pessoas diferentes, e a transferir músicas do computador para o leitor de MP3. Tudo isto em Windows descrito como o "programa estrela" da Microsoft.

Por último, o "Daniel" e o Nelson são homens o que justifica a dispersão. As mulheres têm ma capacidade de multitasking muito maior do que os homens.

Porque é que, tal como acontece no football, toda a gente acha que sabe escrever sobre tecnologia? Bem sei que a tecnologia está, hoje em dia, ao alcance de todos, mas dá algum trabalho. O facto de chamarem programa a um sistema operativo, usarem terminologia técnica errada (pelo menos em Portugal), tem dois maus resultados:
1 - Descredibilizar completamente o Jornal/Revista/Rádio/Televisão/Site onde tais barbaridades vêm escritas, pelo menos junto de uma comunidade mais tecnologicamente competente.
2 - Para os que têm menos competências tecnológicas que (ainda) são a maioria, está a dar-se informação errada. O que, num órgão de informação, me parece contraditório.

Estão a lançar e a perpetuar o erro. Pela parte que me toca, estão a descredibilizar-se, ainda mais.

7 comentários

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    Jonasnuts 11.10.2007

    Não sou jornalista, nem tenho pretensões de saber seja o que for acerca da matéria, mas o sentido crítico de um jornalista não deveria servir para isso mesmo? Não me refiro a expressar uma opinião, mas a ter um sentido crítico em relação às propostas de escrita que são apresentadas. Mas isto sou eu, provavelmente demasiado idealista, para achar que o ritmo dos dias que correm se compadece com uma pesquisa exaustiva, seja qual for a matéria, mesmo que se trate "apenas" de um tema Saúde/Bem-estar.

    Não faça caso, eu sou mesmo assim :) E sim, sempre tive a mania de ser mais sensível aos detalhes e aos pormenores. Mas só porque acho que os pormenores, são essenciais :)

    Aceito os seus cumprimentos, e retribuo saudações cordiais :)
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    Nelson Marques 12.10.2007

    Cara amiga

    É algo patológica a forma como se apressa a fazer juizos definitivos sem conhecimento de causa. Em primeiro lugar, em que se apoia para afirmar que não fiz uma pesquisa exaustiva sobre o tema? Por acaso fez a amiga alguma pesquisa? É que só a vejo criticar com base nas suas convicções sem apresentar qualquer validade para uma visão contrária à que está expressa no artigo. O texto refere directamente dois estudos, cita um especialista americano, outro português, e outras fontes foram consultadas. Obviamente, a si, que não é jornalista, é-lhe fácil expressar uma opinião. A mim, é-me indiferente. A voz do texto não tem, nem deve, que ser a minha. Pode não concordar, mas houve outros (e não me refiro a mim) que pensaram bem mais do que cinco minutos antes de falar sobre um tema. E, por acaso, até têm alguma qualificação para o fazer. Se não concorda, está no seu direito. Mas, já agora, junte alguns argumentos ao debate, ao invés de se limitar a lançar umas farpas. Saudações
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    Jonasnuts 12.10.2007

    Caro Nelson,

    Parti do princípio que uma pessoa que chama programa a um sistema operativo não fez pesquisa, nem exaustiva nem sem ser exaustiva.

    Se calhar parti do princípio errado e o Nelson fez uma pesquisa imensa.

    Lamento ter sido induzida em erro pelas falhas técnicas apresentadas na peça.

    A minha questão não se prende com a temática do artigo que se insere na secção de "coisinhas leves", mas sim com o facto de algumas imprecisões técnicas no vocabulário utilizado condicionarem fortemente a já precária credibilidade do tema.

    Se eu quiser estudos científicos seja do que for não é com certeza à Única que os vou buscar.

    Saudações
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    Anónimo 12.10.2007

    Cara amiga

    A pessoa que escreveu programa em vez de sistema operativo cometeu um lapso. É humano. Não significa que não saiba distinguir uma coisa da outra. E escrever "baixar" em vez de "transferir" é igualmente errado, mas não faz de mim um analfabeto tecnológico como a amiga quis fazer passar com o seu fundamentalismo. Já a sua observação sobre a possibilidade de realizar as tarefas que a personagem Daniel estaria a realizar é mentirosa, o que me parece mais grave. Mas, claro, a amiga é que é a especialista, não eu. Sobre a credibilidade do tema, e como a "Única" não tem pretensão de publicar artigos científicos, faça uma pesquisa sobre "multitasking". Ou não. Já percebi que lhe basta a sua opinião.

    Saudações,
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    Jonasnuts 12.10.2007

    Cada vez mais esse "amiga" adopta um sentido irónico que não me passa despercebido.

    Não sou especialista, não sou informática. Portanto, não tenho competências para passar diplomas de analfabetismo informático a quem quer que seja. Mas se, mesmo eu, que não sou especialista na área, consigo encontrar dois erros, é sinal de que algo não está bem.

    Eu não disse que o "Daniel" não poderia realizar aquelas tarefas, disse apenas que necessitaria de um computador com características acima da média, para o fazer.

    Não se apresse a chamar-me ou ao que escrevo, de mentiras. Faça uma pesquisa e veja quais são as características que um computador precisa de ter para conseguir desempenhar em simultâneo todas as tarefas descritas.

    Mantenho a minha opinião e, como é hábito, vamos ter de concordar em discordar.
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    Nelson Marques 12.10.2007

    Cara amiga,

    Não uso de qualquer ironia. Não sei o seu nome e pretendia apenas ser cordial. Vamos por partes para arrumar este assunto de vez:

    1) A amiga não disse que o Daniel, para fazer aquelas coisas todas, precisaria de um computador "acima da média". Escreveu, isso sim, que precisaria de um "super computador", "muito acima da média". O meu computador é um quase banal Pentium M760 de 2.oGHZ e faz tudo aquilo sem se arrastar. É um Acer 1644WLMi, custou-me uns 800 euros e está muito longe de ser um topo de gama.

    2) Não contente, pintou um cenário que não estava lá. Até prova em contrário, a generalidades das monografias ainda são escritas em "Word", mas preferiu imaginar um aluno de Gestão a usar o "Powerpoint" e o "Excel". Essa é uma personagem criada por si, não a que está no artigo.

    3) Diz também, e bem, que não é especialista em informática, mas, antes de criticar, podia informar-se melhor. Em relação à questão do "baixar" vs "transferir", é uma questão semântica que tem suscitado debate. Não tenho problemas em admitir que "transferir" teria sido a opção melhor, mas daí a considerar um erro, sobretudo com a dimensão que lhe quis dar, a utilização de uma palavra que muitos usam, vai uma distância considerável.

    Já para a referência ao erro do "programa Windows", remeto-a para a definição de sistema operativo. Partindo do principio que percebe Inglês, porque me parece uma pessoa inteligente e culta (e digo-o sem qualquer ironia) deixo-lhe aqui algumas definições, com a respectiva fonte:

    "An operating system is the program that controls all the other parts of a computer system - both the hardware and the software"

    "An operating system is a program designed to run other programs on a computer".

    "An Operating System, or OS, is a software program that enables the computer hardware to communicate and operate with the computer software"

    "...The most important program that runs on a computer".

    www.computerhope.com/os.htm
    www.wisegeek.com/what-is-an-operating-system.htm
    www.webopedia.com/TERM/o/operating_system.html
    theory.uwinnipeg.ca/UNIXhelp/concepts/index.html

    Como parece gostar de analogias desportivas, ponhamos as coisas desta forma: não é por ser futebolista que alguém que joga futebol deixa de ser um desportista.

    Teria sido preferível ter escrito sistema operativo? Teria. É errado dizer que um sistema operativo é um programa? Não me parece. Não se trata de concordar ou discordar, mas de repor a verdade das coisas. A não ser que, não sendo especialista em informática, pretenda saber mais que os especialistas.

    4) A partir de dois lapsos meus - como aqui ficou demonstrado, não tão graves como quis fazer parecer - construiu a imagem de alguém que não devia escrever sobre assuntos que não domina, desancou no autor, no texto, na secção. Dito isto, lanço-lhe um desafio: imagine que alguém escrevia uma frase onde separa o sujeito do predicado com uma vírgula. Porventura a minha amiga apressar-se-ia a dizer que alguém que faz isso não devia escrever porque não sabe escrever Português. Eu, que vejo o quadro geral sem me prender aos pormenores, diria que essa pessoa se enganou (e digo-o também sem ironia). É humano.

    Saudações,
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