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No início, era o Verbo

por jonasnuts, em 02.04.16

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O meu post "Community Manager" (auto-link) recebeu um inesperado feedback. Fosse aqui, no Facebook, no Twitter, no Linkedin, pessoalmente, em público e em privado, fui contactada com solicitações várias. Todas interessantes e, a maioria, manter-se-á em privado.

 

Porém, alguns desses contactos surgiram de pessoas que estão agora a começar, ou que começaram há pouco tempo. E as perguntas eram as mesmas; "Como é que eu faço? Por onde é que eu começo? Como é que eu melhoro? Como é que arranjo experiência? Como é que me informo? Como é que preencho as lacunas da minha licenciatura/mestrado onde não falámos sobre estes temas do digital? Para que lado é que me viro?"

 

Decidi por isso escrever uma série de posts para essa malta que está agora a começar. Suspeito que poderão ser úteis para quem já começou e, em alguns casos, podem também revelar-se interessantes para quem já cá anda há algum tempo. É a minha visão de como a coisa deve ser feita, e são as recomendações que sempre passei a quem estagiou comigo (e se me passaram estagiários pelas mãos, nestes quase 20 anos). 

 

E aqui chegamos ao título do post. O João tinha razão. No início, é o verbo. 

 

Das muitas ferramentas de trabalho que usamos para comunicar (já que é disso que se trata), a língua em que o fazemos é a base de tudo. Centremo-nos no português, já que é em português que escrevo neste blog embora, para ser franca, o inglês seja hoje também fundamental.

 

Quando comunicamos com má ortografia, má dactilografia, erros de concordância, ou erros de construção, estamos a cometer erros básicos e estamos a prejudicar a mensagem que queremos transmitir.

 

Há diferença entre erros de dactilografia e erros de ortografia. Estatisticamente, quem lê, chateia-se mais com o erros de dactilografia (que denunciam falta de atenção) do que com erros de ortografia (que denunciam falta de conhecimento). Na dúvida, evitem ambos.

 

O domínio da língua escrita não é algo com que se nasça. É algo que vamos aprendendo e que melhora substancialmente com a prática. O estilo, o nosso estilo pessoal, é algo que evolui. Vão aos primeiros posts deste blog, leiam meia dúzia,  depois leiam alguns posts de uns anos mais tarde, e depois uns dos últimos posts. Concentrem-se na forma, não no conteúdo. Há diferenças substanciais. Houve uma evolução, ao longo dos anos, à medida que eu aprendia às minhas custas, com a mão na massa (que é a melhor maneira de aprender, para mim) o que é que funcionava e o que é que não funcionava. Neste caso em particular, o funcionar ou não funcionar não se traduz em número de visitas, links, pageviews, comentários ou engage (que são as medidas mais frequentes), traduz-se em eu gostar ou não gostar. Neste blog, é esse o meu único critério.

 

No início eu nem queria ter um blog. Obriguei-me a ter um blog porque estava a gerir a plataforma de blogs do SAPO e queria ter a mesma experiência de utilização que a comunidade que estava a gerir (isto dará outro post, mais lá para a frente). 

 

Portanto, escrever, ensina-nos a escrever. E quanto mais escrevemos, mais aprendemos. 

 

Mas escrever não é a única forma de aprender a escrever. 

 

Ler. Ler muito. Jornais, revistas, livros, blogs, bulas, folhetos, rótulos, embalagens, anúncios, press releases, comentários, convites, posts de Facebook, tweets. Não interessa. Quanto maior for a diversidade, melhor. Porque a forma como escrevemos tem de se adaptar ao meio para o qual escrevemos. Escrever um texto para um blog é diferente de escrever um texto para um press release, já para não falar da adaptação ao target.

 

Portanto, para quem quer começar, esta é a minha primeira recomendação. Dominem o verbo. 

 

Criem um blog e comecem a escrever. Nos intervalos, leiam.

 

Usem as ferramentas básicas à vossa disposição para melhorar a qualidade do vosso português. Encontram alguns links úteis na barra lateral deste blog (a minha fixação pela correcta utilização da língua não é recente).

 

Façam como eu e tornem-se bilingues dentro da vossa própria língua. Quando escrevo a título pessoal (como aqui), não uso o novo acordo ortográfico. Profissionalmente sou obrigada a fazê-lo. Tive de aprender as novas regras, por isso e porque o meu filho adolescente já só usa o novo acordo, dá jeito, para corrigir trabalhos e apresentações :)

 

Usem o corrector ortográfico sempre. Não resolve tudo. Um corrector ortográfico não distingue entre um "há" e um "à", mas ajuda noutras coisas.

 

Leiam e releiam os vossos posts antes de os publicar.

 

A sério. Leiam e releiam os vossos posts antes de os publicar. 

 

Peçam ajuda. Há uma seita na Internet que são os grammar nazis (olá, Mª João Nogueira, muito prazer), que adora chamar a atenção para os erros. Não é bem adorar, é ser mais forte que eles. Usem a seita a vosso favor e digam de caras, no blog, que correcções ao português são muito bem-vindas. Provavelmente terão mais ajuda do que aquela de que precisam. Se tudo correr bem, cada vez precisarão de menos ajuda. Mas precisarão sempre.

 

Obriguem-se a escrever. Nem sempre vos vai apetecer, nem sempre saberão sobre o quê (essa é sempre das primeiras grandes dificuldades - que raio tenho eu de interessante para dizer?), mas inventem. Forcem-se. Saibam à partida que terão sempre mais facilidade em escrever sobre temas de que gostam e sobre os quais sabem alguma coisa do que sobre temas que podem ser mais eficazes (do ponto de vista da audiência) mas acerca dos quais vocês não saibam porra nenhuma.

 

Isto já vai muito longo, TLDR nos comentários nunca é bom sinal, e já têm aqui muita sarna com que se coçarem.

 

No próximo "capítulo", a vossa marca, o nome e o endereço do blog, tipo de linguagem, periodicidade, frequência, temática e mais algumas sugestões.

 

Não sei se já disse, leiam e releiam os vossos posts antes de os publicar, que é o que eu vou fazer agora (e fiz, e alterei algumas coisas, acrescentei outras, tirei algumas e corrigi os gatos - agora - publicar).

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Community manager

por jonasnuts, em 30.03.16

Há quase 20 anos que tenho imensa dificuldade em responder, nos formulários que me caem no colo, à questão "profissão?".

 

Antes era mais fácil; "publicitária" ou "produtora de publicidade", que era esquisito, mas mesmo assim, era minimamente conhecido e modernaço.

 

Quando mandei a publicidade às favas e passei a fazer profissionalmente algo ainda mais esquisito, a dificuldade agravou-se. Ao princípio escrevia "Internet", porque era suficientemente vago e ninguém sabia bem o que era, só sabiam que era moderno. Depois passei a escrever "gestora de serviços de comunidade", que era mais exacto, mas que literalmente ninguém sabia o que era. Foram muitas as vezes em que, à minha frente, era riscada a parte dos "serviços de comunidade" para ficar apenas o "gestora". 

 

"Gestora" eles percebiam bem o que era, embora, na minha perspectiva, "gestora" seja quase tão abrangente como "Internet". Mas era um abrangente mais conhecido e, sobretudo, na perspectiva "deles" tinha mais élan.

 

Mas, na realidade, o que eu faço há quase 20 anos, entre muitas outras coisas, é mesmo isso; gestora de comunidades online. Devo ser a pessoa que, em Portugal, o faz há mais tempo.

 

Tive a enorme vantagem de poder aprender com as mãos na massa, e tive a sorte de, quando comecei, não existirem redes sociais, pelo que os erros que naturalmente cometi enquanto aprendia a coisa, não tomaram nunca proporções bíblicas. Fui uma privilegiada, na medida em que pude aprender à minha custa e à custa das comunidades que geri, e que me ajudaram, a perceber os "dos and don'ts" duma actividade acerca da qual havia muito pouco know how e o que havia era estrangeiro, que não é facilmente transponível para as idiossincrasias portuguesas. 

 

Foi por isso com muita satisfação que, de há uns meses para cá, vi começarem a aparecer anúncios de emprego para "Community Managers". Olá, pensei, as coisas começam a animar.

 

Vi muitos desses anúncios.

 

A grande maioria deles pede pessoas recém-licenciadas, com frequência, o que oferecem é um estágio (normalmente não remunerado). Pedem pessoas que saibam de SEO e SEM, e de Google Analytics, e de Facebook Ads, e de html e css, e de criação e gestão de conteúdos, e competências de design são factor preferencial. Estou a excluir os pedidos mais idiotas, como php, python, javascript e outros que tais, que se vê mesmo que não sabem muito bem de que é que estão à procura.

 

Em NENHUM anúncio eu vi pedidas as características que são mais importantes num community manager: disponibilidade e bom senso.

 

Disponibilidade, porque se é online, a coisa tem de funcionar 24/7. Bom senso porque é uma característica muito subvalorizada e é a que impede de fazer disparates, num mundo em que é preciso ser-se rápido no gatilho. Comunicação (quase) em tempo real exige MUITO bom senso. 

 

 

Foram raros os anúncios em que foram pedidas as segundas características mais importantes num community manager; a utilização irrepreensível da língua portuguesa e a cultura, quer geral quer específica do meio.

 

Um recém licenciado não sabe escrever. E não me refiro aos recém-licenciados das engenharias. Refiro-me a todos os recém-licenciados, e passaram-me muitos pelas mãos. Mas, pelos vistos, isso não interessa para nada, porque a utilização irrepreensível da língua portuguesa não é fundamental para quem anda à procura dos novos community managers, pelo menos a julgar pelos anúncios que vi.

 

Para mim, sempre foi fundamental, para qualquer posição, mas especialmente para aquelas que contactam directamente com os clientes/utilizadores, customer care incluído.

 

Cultura geral e cultura específica do meio, porque quem gere uma comunidade comunica com muitas pessoas diferentes e quanto mais o seu discurso estiver adaptado a cada interlocutor, mais eficaz será. Cultura geral impede argoladas básicas, cultura específica do meio permite uma resposta no mesmo tom, e deixa antever modernidade e actualidade que são muitas vezes (mas não sempre) factores decisivos. 

 

LuisB.jpg

 

Outra ausência gritante dos anúncios é a valorização da presença online dos candidatos. Em nenhum anúncio vi serem pedidos o endereço do Blog, do Facebook, do Twitter, do Instagram, etc....

Peço sempre isto, nos anúncios que coloco. Permite-me ter uma ideia acerca da personalidade da pessoa, da forma como escreve, há quanto tempo usa determinadas ferramentas, com que frequência, etc..

Tudo dados fundamentais para se desempenhar uma função de gestão de comunidades.

Já me aconteceu, no passado, ter de encontrar alguém que tivesse, também, competências (ou potencial) de community manager (enfim, de acordo com a minha definição da coisa). Não me enganei.

 

E, por último, os salários. À partida, um estagiário, não ganha grande coisa. Se não ganha grande coisa e é estagiário, é sinal de que está a aprender (o que contradiz o pedido frequente para estagiários, com experiência), ora, eu não quereria entregar a comunicação da minha marca ou do meu serviço a alguém que está a aprender porque, lá está, se está a aprender, que não seja às custas da minha marca e do meu serviço. Para community manager, nunca quereria ninguém com menos de 5 anos de experiência específica nesta área, mas essa não parece ser uma preocupação de quem recruta. Confirma-se assim o "If you pay peanuts, you get monkeys".

 

Vai na volta e a definição corrente de community manager é muito diferente da minha. Um community manager, na versão actual, é um gestor de redes sociais. Portanto, algo muito mais simples do que criar e gerir uma comunidade usando, entre outras ferramentas, as redes sociais. 

 

Para mim, community manager é a pessoa que cria e mantém uma comunidade. Por comunidade entende-se um grupo de pessoas que, por usarem o mesmo serviço ou o mesmo produto ou frequentarem o mesmo sítio se sentem incluídas e como pertencentes a algo que as diferencia de quem não tem essa presença ou utilização. E criar essa noção e esse sentimento de pertença num grupo (desejavelmente cada vez maior) de pessoas, não é tarefa fácil.

 

Criar e gerir uma comunidade não é um sprint (como muitos parecem achar), é uma maratona. É um trabalho que exige paciência, tempo, entrega, pertença à comunidade que se quer gerir e, muito importante, ouvir. Uma comunidade que não participa no processo de decisão, ou que não é ouvida nesse processo, não é uma comunidade.

 

Fazer like na página duma marca, no Facebook, não faz de mim membro de nenhuma comunidade. Seguir uma marca no Twitter ou no Instagram não faz de mim parte duma comunidade. 

 

E é assim que chego à conclusão de que hoje, tal como há 20 anos, a profissão de community manager é uma raridade. O resto da malta é gestor de redes sociais e, para mim, isso é muito diferente (faz parte, mas está longe de ser a única competência). 

Acho que vou regressar ao "Internet", nos formulários, para não correr o risco de acharem que sou só gestora de redes sociais.

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Os chico-espertos do plágio

por jonasnuts, em 28.03.16

A história não é, infelizmente, original, nem é, sequer, pouco frequente, pelo contrário. Mas é sempre bom, desmascarar os abutres dos conteúdos, que nascem e proliferam como cogumelos, nos dias que correm.

 

Há pouco mais de 8 anos, o Vítor Santos Lindegaard escreveu um post no seu blog

 

Até aqui nada de novo.

 

No dia 29 de Janeiro de 2016, portanto, quase 8 anos depois do post original ter sido escrito, um site chamado ncultura publica um post, a que dá o título de "10 particularidades que provam que os lisboetas também têm sotaque".

 

Não é um copy/paste, mas a cópia é óbvia. Tão óbvia que há quem se lembre de ter lido o post original, há 8 anos, e dê pela coisa. 

 

É feito um post no Facebook. E depois outros. E a malta está irritada, pois claro.

Alguém vai ao artigo e deixa um comentário, que não é aprovado.

Alguém sugere que se comente na página do Facebook do nculttura.

Alguém comenta na página do Facebook do ncultura.

O comentário é apagado.

Novo comentário. 

Nova remoção.

Ban.

Outra pessoa comenta.

Comentário apagado.

 

E depois, misteriosamente, aparece no rodapé do post plágio "Fonte parcial: Português de Lisboa: ao que isto chegou…".

Como se lá estivesse estado desde sempre.

 

Vamos lá ver. Copiar um post, transcrevê-lo quase na íntegra e colocar no rodapé a "fonte parcial" não branqueia o plágio, senhores do ncultura. Mesmo que com link. Mesmo que lá estivesse estado desde o princípio. 

 

E não estava, como qualquer pessoa com um mínimo que conhecimentos consegue provar, bastando para isso que vá ao webarchive.

 

sotaque.jpg

 

E quem são os senhores do ncultura, perguntarão vocês?

 

Pois que não sei. O domínio foi registado em Outubro de 2015 em nome duma empresa chamada Draftnatura Lda, com sede no Porto, e um senhor responsável que, presumo, se chame Rui Videira e tem um mail netcabo. A entidade que gere o domínio é a Amenworld, Serviços Internet - Sociedade Unipessoal, Lda, que é a mesma entidade que registou o domínio  amen.pt esse mais conhecido, para já, que o ncultura. 

 

E é só isto que eu sei.

 

Minto.

 

Sei mais coisas. Sei que os senhores fazem parte do moderno conceito de abutres de conteúdos alheios, com vista ao lucro sobre trabalho dos outros. Sei que fazem parte da crescente manada de chico-espertos que acham que podem fazer o que lhes dá na real gana, não sendo nem sérios nem honestos.

 

Adicionar o link tarde e a más horas, depois do tempo de vida útil do artigo, quando já facturaram a publicidade associada e apenas e só porque alguém vos descobriu o roubo não melhora a coisa, na minha perspectiva, pelo contrário.

 

Fazer bem, é simples.

 

Contactem os autores dos conteúdos que pretendem publicar no vosso site. Perguntem se podem. Partilhem receita. 

 

Se sim, sim, se não, não. Tão simples como isso.

 

Há ferramentas que permitem identificar plágios. Tenho séria curiosidade acerca dos resultados que obteria, se colocasse todos os posts do ncultura aqui.

 

A ver se arranjo um bocadinho, para satisfazer a minha curiosidade.

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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

por jonasnuts, em 25.03.16

Há já muito tempo que critico a presença online de entidades oficiais que estão só por estar. Porque alguém lhes disse que era preciso, mas deixou a conversa a meio e não explicou porquê nem como.

 

Esta questão sempre me encanitou para todo o online, mas mais particularmente para o Twitter.

 

Não me refiro a contas passageiras, em momento de campanha, de candidatos que querem chegar a todo o lado e também com eles a conversa ficou a meio. Ninguém lhes explicou o porquê e o como. Mas essas têm utilidade, póstuma, porque podem ser recuperados os tweets de campanha, depois de eleitos, e dá para confrontar o que foi dito com o seu contrário, que é  que está a ser feito.

 

Refiro-me a contas de Twitter de entidades oficiais. Como por exemplo a da Autoridade Tributária, que neste momento é @Aut_Trib_Adua mas que em tempos foi @dgci. Mudou de nome, os erros persistem.

 

Foi por isso que na semana passada estranhei muito quando recebi uma notificação de que a conta de Twitter do Governo de Portugal tinha passado a seguir-me. Esquisito (enfim, critérios de seguimento censuráveis :).

 

PeoplefollowedbyRepublicaPortuguesa.jpg

 

Fiquei curiosa e segui de volta. Dei o benefício da dúvida.

 

Esta manhã reparo que o @govpt faz um tweet com o número a contactar, para se obter informações sobre pessoas envolvidas no acidente de trânsito, em França. Pensei, olha..... estes gajos não estão a dormir. Fiz RT e depois fui ver mais coisas que tivessem dito. Podia ter sido uma coisa isolada. Nestas coisas, de tão escaldada, desconfio sempre.

 

E é quando vou ver que deparo com interactividade. Sim, interactividade. Alguém fez uma pergunta à conta @govpt, e a conta respondeu. Em tempo útil.

 

RepublicaPortuguesaonTwitter.jpg

 

Não é montagem, podem ver aqui.

 

Fiquei muito agradavelmente surpreendida e, claro, tweetei sobre a coisa:

 

jonasnutsonTwitter.jpg

 

A julgar pelas estatísticas (na meia hora de vida que o meu tweet tem), não fui a única a ficar agradavelmente surpreendida, a gostar, a aplaudir e a querer mais. E isto num feriado, de manhã.

 

TweetActivityanalytics.jpg

 

Pois, senhores do governo. Fizeram muito bem. Por um lado. Porque, o que há mais por aí são contas de Twitter de entidades do governo, a precisar que lhes seja dado o mesmo tratamento que estão a dar a esta.

 

E como já vimos que sabem fazer a coisa bem feita para uma, queremos a coisa bem feita para todas.

 

Mãos à obra.

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Geração da partilha

por jonasnuts, em 23.03.16

Partilhar teve em tempos um significado simpático. Era o que se dizia aos miúdos, quando estes manifestavam o egoísmo típico da idade. Tens de partilhar. Era uma coisa boa. Partilhávamos o que era nosso, porque gostávamos do outro (ou porque nos diziam que era preciso, pronto).

 

Hoje em dia, partilhar tem um significado completamente diferente. É uma espécie de doença.

 

Partilhar é, para alguns, viver.

 

E o sentido crítico que se deseja, está ausente. O acto de partilhar é mais importante do que aquilo que se partilha. Precisamos de partilhar para nos sentirmos validados.

 

Não me refiro apenas à malta miúda. Refiro-me a toda a gente.

 

E vem isto a propósito de quê? De duas coisas, que são reflexo da mesma base.

 

Há neste momento, no Facebook, duas "promoções" que incentivam os incautos a fazer share, e a tagar os amigos nos comentários.

 

(1) Passatempo Anel Diamante - Tiffany & Companhia 🔊.jpg

 

(1) Range Rover PT 🔊.jpg

 

As duas páginas são obviamente falsas. E quando eu digo obviamente, não estou a ser fundamentalista. Ambas são muito recentes (um ou dois dias). Não têm qualquer enquadramento ou validação das marcas que dizem representar. Não são oficiais. Têm apenas um post, que é precisamente o da "promoção".

 

Apenas isto deveria servir para que as pessoas percebessem que se trata de páginas falsas, e devia originar uma acção apenas: denunciar a página.

 

No entanto...... olhem para os números. Milhares de likes, milhares de shares e milhares de comentários.

 

Ok. Vai na volta e eu ando nisto há mais anos e estou mais habilitada que o comum dos mortais para identificar este tipo de esquemas. Não creio, mas vamos assumir que sim. 

 

Pedagógica, aviso as pessoas que fazem parte da minha lista de amigos. Olha..... isso é um esquema. A página é falsa. Apaga, reporta e avisa os teus amigos. Pronto, nem sempre de forma tão cordial, mas tentando sempre ser construtiva.

 

Um comentário deste género deixado numa das páginas deu origem a uma série de insultos, à minha pessoa, em privado (claro), porque o que eu queria era ficar com o anel só para mim. Eu, que nem uso anéis.

 

A maioria das pessoas que avisei, agradeceu e apagou o post.

 

Depois temos a excepção. A que agradeceu, queixando-se que o meu comentário não tinha sido nem cordial nem educado. Enganou-se. Não sendo cordial, o meu comentário não era mal educado. Pedi desculpas pela falta de cordialidade.

 

Regresso hoje ao perfil da dita cuja pessoa, e lá está na mesma, o post da patranha. E o argumento para a manutenção do post é hilariante "Está e estará o tempo que eu quiser porque este é o Meu espaço pessoal na internet e aqui mando eu.".

Não deixa de ser verdade, no mural de cada um, manda cada um. 

 

Mas alguém que, sabendo que se trata de um esquema, que prejudica terceiros, que é uma falsidade, opta por, mesmo assim, manter o post porque aqui mando eu, é alguém que não tem noção. É alguém que é palerma.

 

Nada contra. Apenas não me interessa. Unfriend.

 

São estas pessoas que provavelmente se queixam de que a comunicação social tradicional andou a veicular durante todo o dia de ontem um vídeo de 2011, em Moscovo, como sendo dos atentados de ontem, de Bruxelas, mesmo apesar dos vários avisos para a falsidade da coisa.

 

Vai na volta e não, não são estas pessoas. Estas pessoas são as que vêem o vídeo de Moscovo e acreditam que se trata de um vídeo de Bruxelas. Engolem tudo o que lhes põem à frente. Não engulam pá, cuspam.

 

Estas pessoas são o nosso amanhã. A elas, recomendo vivamente que vejam um filme em que são heróis e heroínas.

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Central Parque

por jonasnuts, em 22.03.16

O Pedro Rolo Duarte, no programa que partilha com a Joana Stichini Vilela na RTP 3, o Central Parque, convidou-me e ao Jorge Martins Rosa para conversarmos sobre o mundo dos comentários online, no rescaldo da reacção à publicação do livro do Henrique Raposo.

 

Aqui fica o vídeo do programa, que foi para o ar em data e hora indeterminadas.

 

 

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Check it before it's removed

por jonasnuts, em 09.03.16

 

(1) M João Nogueira - Check it before it_s removed..jpg

 

Adoro cenas subversivas. Se forem subversivas e cumprirem um objectivo meritório, importante e fundamental, melhor ainda.

 

Não gosto de laços, lacinhos e laçarotes, mas é inegável, o trabalho que a Pink Ribbon tem feito, ao longo dos anos, na divulgação da necessidade de medicina preventiva, no que diz respeito ao cancro da mama.

 

Detesto ainda o posicionamento pudico, conservador, saloio e idiota que a maioria das redes sociais adoptam, sobretudo no que ao mamilo feminino diz respeito.

 

Posto isto, a última campanha da Pink Ribbon tem tudo para me cair no goto. Caiu.

 

Check it before it's removed. Vão, escolham a foto favorita e: Share. Share. Share.

 

Com apenas um share consegue-se, chatear a rede social em que fizermos a partilha, criar mais visibilidade para o cancro da mama e para a necessidade e a importância do (auto) diagnóstico precoce e pelo caminho, subverter. 

 

Adoro.

 

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Caro Observador

por jonasnuts, em 07.03.16

Gosto muito do teu formato (embora, não necessariamente do teu conteúdo, sempre). Acho que estás no grupo da frente dos órgãos de comunicação social tradicionais, no que ao online diz respeito. É um caminho que não fazes sozinho, mas ao qual chegaste há pouco tempo, pelo que estares no grupo da frente é bom sinal.

 

O teu clickbait, que, convenhamos, existe, é, normalmente inteligente, apesar de um ou outro artigo que roça o boçal. Pronto, uma andorinha não faz a Primavera. O saldo é, quanto a mim, positivo.

 

Mas não serve de nada teres em rodapé das notícias um "Proponha uma correção, sugira uma pista: endereço@de.mail"  se depois não dás uso à informação que te chega por essa via. Por via do mail, esse sim, filho do falecido, ao contrário do @.

 

Na notícia de 6/03/16 reportando a morte de Raymond Tomlinson, referes logo no título um erro básico. 

Morreu o pai da tão usada arroba - Observador.jpg

Ora..... o homem tem descendência muito mais importante e, acima de tudo, mais real. A descendência que lhe apontas, é bastarda, portanto.

 

O famoso @ não foi inventado por Tomlinson. Este deu-lhe o uso a que hoje estamos mais habituados, é um facto, mas está longe de ser o pai da coisa, como, aliás, uma rápida pesquisa poderia ter confirmado.

 

Mas pronto...... errar é humano. 

 

Errar e persistir, quando alertado para o erro através dum mecanismo que tu próprio disponibilizas no rodapé da notícia também é humano, mas é em simultâneo, vá, burro.

 

Podes dizer que o tema é pouco importante, e que o que interessa é o sentido lato da coisa, e que não é o pai mesmo pai, mas que anda lá perto. E não estarás errado. Mas eu também avalio as coisas simples. Porque se um meio não acerta nas coisas simples, como é que vai acertar nas complicadas?

 

Muda lá a paternidade do @ na notícia. É fácil. Pões umas aspas, ou substituis pai por padrasto ou, melhor ainda, fazes como o Público, e referes a invenção que realmente importa. A do mail. Mas, lá está, tu não vês mails.

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Grammar nazi

por jonasnuts, em 07.03.16

Sim, sou eu.

 

Não escrevo sem erros. Mas tento. A maioria dos meus erros é constituída por gralhas, embora não todos. 

 

Sempre defendi que, quem, em nome duma empresa, contacta directamente com o público, tem de escrever irrepreensivelmente.

Este meu fundamentalismo nem sempre é compreendido. Normalmente, quem gere equipas de customer care não valoriza a correcção ortográfica, e torce o nariz, quando escrevo na descrição "deve saber escrever sem erros de português, sejam ortográficos, sejam de construção, sejam de concordância, etc.". Das minhas entrevistas, faz parte uma redacção e/ou um ditado. Toda a gente estranha muito. 

 

Há certos erros com que embirro particularmente. A mistura entre o HÁ e o À é uma dessas embirrações. A utilização errada do hífen é outra.

 

Vejo sempre os mails que nos "meus" serviços são trocados com os utilizadores. Para avaliar (e corrigir, se for caso disso) a resposta técnica, e o português.

 

As pessoas primeiro estranham, e depois entranham.

 

Sabe bem, por isso, receber de alguém que trabalhou comigo (e não para mim, como, erradamente, diz) uma imagem reveladora de que o meu radicalismo, ainda que de forma ténue, surte algum efeito, mesmo quando as pessoas já não trabalham comigo :)

 

Ana Sofia.jpg

 

 

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Como não gostar do Twitter?

por jonasnuts, em 06.03.16

Em conversa com um amigo, pergunta ele quando é que o BE cumprirá a promessa eleitoral de rever a lei da cópia privada. Eu, tendo estado ocupada com temas muito mais importantes, nem me tinha apercebido de que revisitar a lei da cópia privada fazia parte do programa eleitoral do BE. Fui ver. Fazia. Acto contínuo, pergunto à Catarina Martins, no Twitter, quando é que o BE pretende revisitar o tema. E a Catarina Martins responde.

 

image_2016-03-06_15-51-09.jpeg

 

 

Obviamente, isto só funciona se os políticos que estão no Twitter souberem estar no Twitter. A Catarina Martins sabe.

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